Samba todo dia

dois de dezembro, dia do samba

Por Bia Bernardi

Amanhã é dia do samba.

Dia de quem é bom da cabeça e doente do pé. Dia de brasileiro nato, branco malandro e de negro mulato. Dia de festa, de juntar os amigos, de bater palma e pandeiro sem parar.

Mas não pense que amanhã é dia de mulher pelada, de gente bêbada, de música alta.

Amanhã é quando a gente lembra da nossa história, da nossa raiz, daquilo que foi sim!, criado por nós. É dia de saudar aqueles que lutaram pela liberdade, pelo pão de cada dia, por respeito e dignidade. E digo mais: por aqueles que lutaram para dar sentido à vida.

Não, amanhã não é dia de cabelo descolorido, de correntes de ouro maciço, de pegação.

Mas é o dia que a alegria aparece no repicar do tamborim, na subida do morro e na lata d’água na cabeça. É dia de capoeira, jongo e batuque, de devoção, de arrepio na espinha com o refrão em coro. Dia de negro, de branco, de mulato de japonês, de inglês, de alemão e de todo mundo que quiser sentir na batida do surdo o pulsar do coração.

Mesmo! Não é dia de pose forçada pra foto, de dancinha ensaiada, de óculos escuro na cabeça.

É dia de Tia Ciata, Madrinha Eunice, Donga, Geraldo, Noel, Toniquinho, Jovelina, Adoniran, Mario Sergio, Zeca da Casa Verde, Murilão, Toinho, Nelson, Ideval, Tom, Seu Carlão, Martinho, Fredericão, Baden, Seu Nenê, Zeca, Arlindo, Zé Maria, Sombrinha, Osvaldinho, Ivone, Germano, Vinícius, Marco Antonio, Chico, Vanzolini, Neguinho, Riberti, Beth, Plinio Marcos, Jorge, dia meu e seu.

E você goste ou não, amanhã é dia do samba.