Samba todo dia

Texto Relatos - Balaio de Samba

Por Diogo Félix

Dos braços, arrancado de mamãe.

Jogado, em um navio, num porão escuro e sombrio.

Eu e meus irmãos…

Sem querer e, ao menos saber o por que, fomos réus. Passando a conhecer o gosto amargo do fel.

Indiciados aos cativeiros. Porem antecedido por uma longa jornada.

Que para muitos, sendo eles, jovem, idosos ou crianças, tinham suas vidas deturpadas.

Aos sobreviventes, talvez seria ainda pior.

Viver sem liberdade é o mesmo que não viver.

Imagine só… Um passarinho sem voar ou cavalo sem correr.

Chegada nova casa, tarefas eram dadas.

Não cumpridas?! – feitor, lhe dê 200 chibatadas…

Com as feridas abertas, de olhos fechados, não acostumado, sentiu-se desolado.

Ao relento noturno ficou, sua terra rememorou, ao mesmo tempo descia, um pranto em demasia.

E sem saber, sua mãe também chorou, talvez sentindo a mesma dor.

E mesmo não estando por perto, de braços abertos, pediu à seu protetor.

– por favor! Clamou. Leve-me e deixe meu filho, que ele será o redentor.

Por alguns instantes, ao seu redor silenciou, ao fundo escutou, uma voz dizendo: – ele fez essa escolha, esta é sua missão, mostrar a seus irmãos, de um modo sutil sua indignação…

No suspiro derradeiro murmurou: – antes morto que escravo.

Mais tarde, do céu presenciou seus irmãos lutando pela liberdade de braços dados.

São Paulo, 08/12/14.